Notícia

Educação Ambiental em busca do equilíbrio entre Agricultura-Natureza-Sociedade

A perfeita compreensão da Educação Ambiental enquanto política pública, é a que envolve “os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente de forma contínua e permanente”.
A partir dessa compreensão abrangente e transversal, relaciona-se a Educação Ambiental com práticas agrícolas que nem sempre salvaguardam os recursos naturais essenciais à vida dos seres humanos. Nas últimas décadas têm aumentado propostas e pesquisas sobre o cultivo de árvores e ao uso sustentável de floretas. As práticas agrícolas associadas às árvores são tão antigas quanto à própria agricultura. Com o passar do tempo e para atender às exigências do capitalismo, como um sistema econômico dominante, foram descartando as árvores, sendo comum ainda a conservação destas, nas atividades agrícolas desenvolvidas por povos e comunidades tradicionais. Desta forma, a Política Estadual de Educação Ambiental, Lei nº 9.279/2010 e o Plano Estadual de Educação Ambiental, Lei nº 10.796/2018, expressam em seus conteúdos os Sistemas Agroflorestais – SAFs, como ações relevantes para a prevenção e controle de desmatamentos e queimadas. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais, por meio da Superintendência de Educação Ambiental, tem realizado várias Capacitações de Educação Ambiental em diversos municípios sobre Sistemas Agroflorestais, incluindo áreas de povos e comunidades tradicionais, em cumprimento das diretrizes 1 e 3 do Plano Estadual de Educação Ambiental. Ao relacionar a Educação Ambiental com os SAFs, obtém-se benefícios por excelência, dentre eles, cita-se:
  • Enriquecimento e proteção dos solos;
  • Sombreamento para as plantas cultivadas e para as criações de animais;
  • Proteção e conservação dos mananciais;
  • Aproveitamento dos nutrientes disponíveis no solo;
  • Melhor aproveitamento da energia solar;
  • Aumento de renda e da produção total da área;
  • Redução de ervas invasoras;
  • Extração de produtos para uso medicinal.
Os SAFs atualmente possuem várias feições que variam de acordo com a região, planejamento e organização e podem ser:
  • Árvores consorciadas com animais e pastagens;
  • Árvores consorciadas com frutíferas;
  • Roças agroecológicas, em que são utilizadas técnicas como, o plantio direto, adubação verde e o consórcio entre diferentes culturas;
  • Quintais produtivos, em que são cultivados junto com árvores, frutos, verduras e legumes, bem como a criação de animais de pequeno porte. O cultivo nos quintais produtivos deve estar em conformidade com as características edáficas da área.
A Educação Ambiental fortalece a dinâmica positiva dos variados efeitos das atividades agrícolas sobre o meio natural. Sua abordagem por ser transversal envolve todos os espaços em que as atividades econômicas se desenvolvem e os seres vivos interagem. Assim, a Educação Ambiental em sua prática, ocorre à luz da ética reintegrando os seres humanos na natureza de forma efetiva.  

Tânia Maria Nascimento Ferreira Geógrafa e Socióloga Técnica Ambiental da Superintendência de Educação Ambiental/SEMA