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EDUCAÇÃO AMBIENTAL: um olhar interior durante a pandemia do coronavirus

Arte: Marcos Caldas

O mundo começa seu dia como de costume, pessoas saindo de casa para seus afazeres cotidianos como trabalhos, estudos, lazeres, viagens, reuniões, encontros de família e amigos, e de repente, numa cidade do Continente Asiático, dar-se início a noticiários de um novo vírus que começa a se espalhar pela cidade de Wuhan, capital de Hubei, na China continental.

Rapidamente, esse novo vírus ganha o status nos noticiários do mundo inteiro, e num curtíssimo espaço de tempo começa a manifestar seu poder letal e velocidade de disseminação. Com isso, o mundo como conhecíamos em nossa rotina diária, começa a dar sinais de mudança, e paralização de suas atividades como medida profilática contra o poder de disseminação e letalidade da doença. Em poucos meses, desde o surgimento do vírus, na referida cidade asiática, o mundo parou.

Com isso as pessoas do mundo todo começaram a ter que, bruscamente, iniciar uma nova forma de convívio, bem como de ter de aprender a se portar diante de algo invisível aos olhos, mas infinitamente ativo quando presente no corpo humano.

Essa mudança comportamental das pessoas no mundo moderno, tão acostumadas a uma vida de disponibilidade de produtos e serviços ao seu dispor, passaram a ter limitações, principalmente, no seu direito de ir e vir, por medida de isolamento físico, tão eficaz na tentativa de impedir o crescimento da curva de disseminação da doença, para que não houvesse colapso no Sistema de Saúde, em todos os lugares do mundo.

Os reflexos dessa nova forma da sociedade moderna capitalista se comportar se refletiram das mais variadas formas, dentre elas a social, econômica e ambiental. Foi orientado para as pessoas, se portarem no contexto de comprarem o estritamente necessário, bem como de terem uma postura voltada ao pensamento da proteção coletiva com atitudes individuais.

Nesse contrapondo que, atualmente as pessoas vivem, surgem vocábulos e expressões que, para a Educação Ambiental, dentro dos seus preceitos conceituais, já muito conhecidos, como mudanças comportamentais, atitudes, proteção coletiva, dentre outras, passaram a ter uma importância significativa, quando o mundo para de correr freneticamente atrás dos ditos bens de consumo, que proporcionam bem-estar e qualidade de vida para boa parte da população mundial, e voltam-se para dar valor a atitudes e gestos simples de convívio social, como abraços, afagos, beijos ou mesmo apertos de mão, quando o estar junto de quem se ama ou se quer bem, neste atual momento, torna-se desejável, porém, impossível.

Quanto ao ambiente o qual estamos inseridos, como parte da teia da vida, este dá sinais, mesmo que timidamente, de uma recuperação tão almejada por ambientalistas, cientistas, cidadãos e cidadãs comuns, que possuem um pensamento crítico reflexivo de mudança no comportamento do agir social, político, econômico e ambiental sempre na busca do convívio harmonioso e que culmine no ápice do exercer o tão falado, Desenvolvimento Sustentável.

Tais fatos puderam ser vistos nos noticiários locais e do mundo inteiro, quando chegaram aos nossos utensílios eletrônicos relatos de que o ar, em determinadas metrópoles, está mais limpo; as águas de mares encontram-se mais límpidas; animais vindos em bandos visitar locais, antes impróprios de serem vistos, por conta da movimentação humana e muitos outros relatos. Com isso vem em minha mente, o questionamento, será que foi preciso uma pandemia para vivenciarmos ou alcançarmos índices, embora modestos, de harmonia ambiental?

Neste aspecto, que possamos fazer desse momento difícil, uma ida ao nosso interior e buscar em nossa essência de teia com a Mãe Terra, Gaia, um se fazer novo a partir dessa mudança comportamental e de atitude, mesmo que forçada por uma pandemia, onde o olhar coletivo possa ser mais valorizado que o individual.

Que se possa trazer para uma vida nova que há de vir, pós presença do coronovírus – covid-19, uma postura e mentalidade diferentes, tendo a sensibilidade de um novo olhar para si, para o outro, para sociedade e para o mundo, com a certeza de que não condiz mais um vivenciar, pautado no egocentrismo, individualismo, lucro exacerbado, uma vez que, sem sombra de dúvidas, tais posturas já não tem como co-existir, diante de mudança tão violenta.

Esta mudança pode ser vista quando os noticiários internacionais e locais citam que as bolsas de valores no mundo todo despencaram, o tão famoso ouro-negro (petróleo), já não é tão valorizado, que o Produto Interno Bruto – PIB de todos os países atingidos apresentarão quedas significativas nos anos vindouros, e tudo mais que cerca os mercados capitais, que não suportaram a força de um ser invisível, mas presente na vida de todos nós – o vírus.

Diante de tal cenário, que todas essas mudanças de fato culminem em uma nova postura do ser humano pautado na perspectiva de um olhar coletivo e solidário, com foco na construção de uma sociedade mais equilibrada e harmoniosa sócio e ambientalmente falando, tendo a consciência que, o agir de um pode e vai atingir outros, pois todos estamos ligados a um mesmo ciclo sistêmico da vida na terra.

Raimundo Nonato da Silva de Sousa, Engenheiro Agrônomo,

Supervisor de Comunicação Socioambiental – Superintendência de Educação Ambiental