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Dia Internacional da Biodiversidade: algo a comemorar?

Arte: Marcos Caldas

Durante esse novo cenário político-econômico e sobretudo social que se tem constituído durante a Pandemia da COVID 19, na qual medidas de afastamento social são necessárias para a contenção da proliferação do vírus SARS-CoV-2, o Planeta tem nos dado mostra de que resiste, a despeito de nós, e a natureza tem sido caprichosa em suas mostras de resiliência e generosidade. Não à toa temos visto animais e plantas exibindo-se em ambientes antes inóspitos, construídos, arbitrariamente, pelos seres humanos, como estradas, viadutos, praças e outras edificações de concreto.

Então, se durante o mês de maio, no qual foi instituído o Dia Internacional da Biodiversidade há algo a comemorar, é exatamente isso: a força, a resistência, a benevolência e a abundância de vida que a Mãe Terra nos presenteia, e em particular, a nós brasileiros. Senão, vejamos…

O Dia Internacional da Biodiversidade foi criado pela Organização das Nações Unidas, em 22 de maio de 1992, com o objetivo de enfatizar a importância e a necessidade de se promover a cooperação internacional para conservar e proteger a biodiversidade do Planeta. E nós brasileiros, temos mesmo muito que comemorar, apesar das imensas dificuldades que se impõem, uma vez que o Brasil é o país mais rico em biodiversidade do mundo, devido aos seus 8,5 milhões de Km² de extensão e sua variedade climática; o que favoreceu a formação de zonas biogeográficas distintas, com características específicas e riqueza biológica incomparável. São mais de 103.870 espécies animais e 43.020 espécies vegetais catalogadas, distribuídas pelos biomas da Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal Matogrossense, Pampa e Zona Costeira-marinha.

Para proteger e gerir toda essa riqueza natural, o país conta com mais de trezentas Unidades de Conservação Federais e, no âmbito do Maranhão, são 15 Unidades de Conservação Estaduais, estas últimas amparadas em legislação específica, notadamente pela Lei Estadual nº 9.413/2011, que institui o Sistema Estadual de Unidades de Conservação da Natureza, o Decreto Estadual nº 27.791/11, que regulamenta o Fundo Estadual de Unidades de Conservação (FEUC) e a Portaria da SEMA nº 086/2011, que aprova o Programa Estadual de Unidades de Conservação.

Nesses dias, em que as pessoas forçosamente têm-se mantido reclusas, por conta da Pandemia em curso, muito dessa fauna silvestre vem se mostrando destemidamente em várias cidades do mundo. Jacaré atravessando a rua em Porto Velho, macacos nadando em piscina na Índia, Javalis passeando pelas Ramblas em Barcelona, veados nas ruas do Japão, cervo pulando ondas no Sudoeste da França e até um puma selvagem nas ruas desertas de Santiago do Chile, são mostras incontestes de que somos parte de um grande ecossistema, riquíssimo em biodiversidade e portanto, devemos nos comportar como tal; como parte de um todo interligado e interdependente e não como o centro autossuficiente do mesmo, sob risco de sermos nós a espécie ameaçada de desaparecer.

Importa dizer que, diante de tamanha crise de saúde pública mundial, seguida pela crise econômica, social, política e ambiental que se vive hoje, a Educação Ambiental nunca se mostrou tão necessária e o seu papel estratégico nunca ficou tão evidente. Superar o atual paradigma predatório de desenvolvimento não se trata mais de uma questão de escolha, mas de sobrevivência de nossa espécie. Para tanto é necessário que se possa ultrapassar a prevalência da ação individual e seguir a caminho de uma ação coletiva e solidária; com uma postura crítica, combativa e revolucionária dos costumes.

Está posto um enorme desafio, e para que possamos ser protagonistas e beneficiários dessa mudança é preciso dispor da força da Educação Ambiental e da sua formação holística e transformadora; superar posturas egóicas; desafios enfrentados pela governança; falta de ética, conhecimento e informação, entre tantos outros.

Porém, nem tudo são dores! A história recente da humanidade tem mostrado que problemas e crises, muitas vezes são catalisadoras de mudanças há muito necessárias. Afinal, quando vemos pessoas repensando seus valores e posturas, discutindo sobre assuntos da natureza aos quais, antes, eram completamente indiferentes e, encantando-se com imagens de vida selvagens presente nas cidades – captadas pelo Google Earth, por drones e até por elas próprias, em seu smartphones – evidencia-se que, de alguma forma as pessoas admiram, valorizam e sentem falta dessa conexão com a natureza, e do seu valor, vital, afetivo, recreativo e estético.

 Jean de La Fontiane, poeta e fabulista francês, (1621–1695) serviu-se magistralmente dos animais para instruir os homens. Então, que ao seu exemplo, e diante da presença de tanta biodiversidade, possamos aprender com ela a lição de que o Planeta é de todos os seres! A humanidade representa apenas um ínfimo percentual da grandiosidade da vida na Terra e toda essa força vital continuará pulsando ao nosso redor, recobrando o espaço que sempre foi seu!

Priscila Maria de Paula Lobão, Pedagoga

Analista Ambiental da Superintendência de Educação Ambiental